Dia Internacional da Mulher: Uníntese promove encontro de reflexão com colaboradores
Na última terça-feira, 4 de março, a Faculdade Uníntese reuniu seus colaboradores para um encontro especial em alusão ao Dia Internacional da Mulher. A atividade contou com a palestra da psicóloga Ellen Caroline Garcia, que conduziu uma reflexão sobre saúde emocional, os múltiplos papéis das mulheres na sociedade e os desafios que ainda atravessam suas trajetórias.
A abertura do encontro foi realizada pela vice-diretora Maria Bernadete Bechler, que contextualizou o significado histórico do 8 de março, data que simboliza a luta das mulheres por direitos, reconhecimento e igualdade. Durante sua fala, ela destacou desigualdades que marcaram a história, como o acesso tardio das mulheres à educação: no Brasil, as meninas passaram a frequentar escolas apenas em 1827, enquanto o ingresso no ensino superior foi autorizado somente em 1879.
Reflexões sobre os papéis das mulheres na sociedade
Durante a palestra, Ellen também convidou os participantes a refletirem sobre o significado do Dia Internacional da Mulher para além de uma data comemorativa. Segundo ela, o momento é um convite para repensar papéis sociais, reconhecer sobrecargas, acolher sentimentos e questionar expectativas sociais muitas vezes contraditórias que ainda atravessam os ambientes de trabalho, as relações familiares e a rotina das mulheres.
A psicóloga destacou que, apesar dos avanços conquistados ao longo da história, muitos dados ainda são alarmantes. As mulheres seguem ocupando menos espaços em cargos de liderança e gestão e continuam expostas a diferentes formas de violência e vulnerabilidade. No Brasil, dados do IBGE indicam que, em média, quatro mulheres são mortas por dia, sendo a maioria dos casos dentro do próprio domicílio.
Entre os temas abordados esteve também a realidade da dupla jornada de trabalho, vivenciada por muitas mulheres que conciliam atividades profissionais com responsabilidades domésticas e cuidados familiares. Dados recentes apontam que 8 em cada 10 mulheres no Brasil vivem essa dupla jornada, acumulando trabalho remunerado com tarefas domésticas e cuidado com filhos ou familiares.
Pesquisas indicam que 45% dessas mulheres não contam com rede de apoio ou ajuda de parceiros para dividir essas responsabilidades, o que evidencia como o trabalho de cuidado ainda recai majoritariamente sobre elas.
Nesse contexto, a psicóloga destacou como essa sobrecarga impacta diretamente a saúde mental e o bem-estar feminino, especialmente quando as mulheres precisam equilibrar múltiplos papéis: profissionais, mães, cuidadoras e responsáveis pela organização da vida familiar.
Durante a palestra, ela também provocou o público com uma pergunta simples, mas profunda: “Quantas mulheres fazem parte da sua vida e por que você as admira?”. A reflexão levou os participantes a reconhecer as diversas mulheres presentes em seu cotidiano: mães, amigas, colegas de trabalho, irmãs ou companheiras, e os diferentes papéis que elas desempenham diariamente.
Outro tema abordado foi a complexidade das jornadas vividas por muitas mulheres, que conciliam maternidade, carreira, vida familiar e expectativas sociais. Nesse contexto, a psicóloga trouxe o conceito da “mãe suficientemente boa”, desenvolvido pelo psicanalista Donald Winnicott, que propõe que a maternidade não exige perfeição, mas cuidado, presença e adaptação às necessidades da criança ao longo do seu desenvolvimento.
Ao final, Ellen reforçou também a importância de olhar com mais atenção para as próprias vulnerabilidades, reconhecendo emoções, limites e fragilidades como parte da experiência humana e como um passo importante para fortalecer o cuidado com a saúde mental.
Educação e transformação social
Encerrando o encontro, o diretor da Uníntese, Pedro Stieler, destacou a importância de promover espaços de reflexão dentro da instituição sobre temas relevantes para a sociedade. Segundo ele, discutir os papéis que as mulheres ocupam hoje é fundamental para ampliar o olhar coletivo e fortalecer uma cultura mais consciente e sensível às transformações sociais.
Durante sua fala, o diretor também ressaltou a inspiração de trabalhar ao lado da vice-diretora Maria Bernadete, reconhecendo sua dedicação, entusiasmo e compromisso com a educação.
Mulheres que inspiram
Durante o encontro, a vice-diretora Maria Bernadete compartilhou a história de Enilda Toledo, aluna do curso de Letras da instituição, como um exemplo de trajetória que inspira e revela o impacto transformador da educação. Quando ingressou na graduação, havia dúvidas sobre as condições que ela teria para acompanhar o curso, mas sua caminhada surpreendeu pela dedicação, persistência e vontade de aprender.
Recentemente, ao participar de uma reunião institucional com o reitor, Enilda reuniu toda a família para acompanhar o encontro online, um momento especial, já que ninguém da família havia participado antes de um espaço como esse dentro de uma instituição de ensino superior. A experiência, segundo o relato compartilhado, representou não apenas uma conquista pessoal, mas também um marco para toda a sua família.
Mulher negra, trabalhadora e prestes a concluir a graduação, Enilda representa muitas das histórias que demonstram como o acesso à educação pode transformar trajetórias, ampliar perspectivas e fortalecer a confiança de quem busca novas oportunidades.
Durante sua fala, ela também compartilhou uma poesia de sua autoria, intitulada “Realização”:
Plantei meu sonho no chão da esperança.
Reguei com coragem e nutri com mudança.
Mesmo atravessando dificuldades, segui firme.
Descobri que o mundo também podia ser meu.
Me vi crescer.
Me vi errar.
Mas também aprendi.
Hoje eu sou minha história.
Sou minha construção.
Sou minha maior conquista.
Sou minha realização.
