Pesquisa revela impacto do skate no desenvolvimento socioemocional de jovens

Por | Social Media na Uníntese |


O estudo desenvolvido por pesquisadores da Faculdade Uníntese evidenciou o potencial do skate como prática educativa e psicossocial no desenvolvimento de crianças e adolescentes em contextos de vulnerabilidade social. Publicado na revista científica Research, Society and Development, o artigo analisa como projetos sociais baseados na prática do skate podem contribuir para a construção de vínculos, fortalecimento emocional, pertencimento e desenvolvimento socioemocional de jovens participantes.

Pesquisa analisa impactos emocionais e sociais do skate

A pesquisa, intitulada “O skate como prática educativa e psicossocial: Um relato de experiência com crianças e adolescentes em contexto de projeto social”, foi desenvolvida pelos pesquisadores Cristiane Dourado Stieler, Carmem Regina dos Santos Ferreira e Pedro Stieler. O estudo parte da compreensão de que o esporte pode ultrapassar a dimensão física e assumir papel relevante na formação humana e social, especialmente em territórios marcados por desigualdades e fragilidades sociais.

Segundo os autores, o skate possui características singulares que favorecem processos educativos importantes durante a infância e adolescência. Diferente de modalidades esportivas tradicionais centradas em regras rígidas e competição direta, o skate se estrutura a partir da autonomia, da criatividade, da convivência entre pares e da aprendizagem construída através das tentativas, erros e superações constantes.

Acolhimento, pertencimento e vínculos afetivos

O artigo destaca que, dentro do projeto social analisado, a pista de skate deixou de representar apenas um espaço esportivo e passou a funcionar como ambiente de acolhimento, reconhecimento e construção de vínculos afetivos. Ao longo das atividades, crianças e adolescentes passaram a desenvolver relações de apoio mútuo, incentivo coletivo e cooperação espontânea, fortalecendo sentimentos de pertencimento e integração social.

A pesquisa foi realizada a partir de uma abordagem qualitativa, utilizando observação participante e registros em diário de campo produzidos durante 12 meses de acompanhamento do projeto social. Os pesquisadores acompanharam diretamente as interações entre participantes, educadores e o próprio espaço da prática esportiva, analisando aspectos relacionados ao comportamento, às emoções e às relações construídas ao longo da experiência.

Desenvolvimento emocional e superação

Entre os resultados observados, os pesquisadores identificaram avanços significativos não apenas no desenvolvimento motor dos participantes, mas principalmente em aspectos emocionais e psicossociais. A experiência com o skate favoreceu o desenvolvimento da persistência, da autorregulação emocional e da capacidade de lidar com frustrações, competências consideradas fundamentais para a formação integral de crianças e adolescentes.

O estudo mostra que a relação com o erro ocupa papel central nesse processo. As quedas e dificuldades inerentes à prática do skate deixam de ser percebidas como fracasso e passam a integrar o próprio percurso de aprendizagem. Segundo os autores, esse movimento contribui para que crianças e adolescentes desenvolvam maior tolerância à frustração, aprendam a persistir diante das dificuldades e fortaleçam sua autoestima.

O papel do acolhimento e dos educadores

Um dos episódios relatados na pesquisa evidencia a dimensão emocional envolvida no projeto. Durante as observações, os pesquisadores acompanharam o caso de um participante identificado apenas pela letra “J”, que vivia um processo recente de luto pela perda da mãe. Após repetidas tentativas frustradas de realizar uma manobra, a criança interrompeu a atividade e começou a chorar, verbalizando sentimentos de incapacidade. Em vez de exigir a retomada imediata da prática, o educador responsável permaneceu ao lado do participante, oferecendo acolhimento emocional até que ele se sentisse seguro para tentar novamente. Posteriormente, familiares relataram que a participação no projeto contribuiu de forma significativa para que a criança superasse um quadro severo de retraimento social.

Para os pesquisadores, situações como essa demonstram que o skate pode atuar como mediador de processos emocionais complexos, criando possibilidades de escuta, acolhimento e reconstrução subjetiva em contextos sociais vulneráveis. O artigo também destaca que o impacto positivo da prática depende diretamente da atuação dos educadores envolvidos no projeto.

De acordo com o estudo, os educadores exercem papel fundamental na construção de um ambiente seguro e formativo. Mais do que ensinar técnicas esportivas, os profissionais atuam na mediação de conflitos, acolhimento das emoções e fortalecimento das relações interpessoais. A postura baseada no diálogo, na escuta e no acompanhamento contínuo contribui para que crianças e adolescentes se sintam legitimados, respeitados e encorajados a aprender.

Projetos sociais e transformação humana

A análise desenvolvida pelos pesquisadores também dialoga com discussões contemporâneas sobre políticas públicas voltadas à infância e juventude. O estudo reforça que projetos esportivos sociais podem funcionar como importantes espaços de proteção, pertencimento e promoção do desenvolvimento humano, especialmente quando articulados a propostas pedagógicas estruturadas e relações afetivas consistentes.

Na conclusão do artigo, os autores afirmam que o skate ultrapassa a condição de atividade recreativa e se consolida como prática educativa capaz de integrar dimensões corporais, emocionais e relacionais. Para os pesquisadores da Faculdade Uníntese, iniciativas dessa natureza demonstram a importância de práticas esportivas sensíveis às necessidades humanas e sociais de crianças e adolescentes, especialmente em contextos marcados por vulnerabilidade social.