Trajetória que inspira: Gabriel Camargos conta como a Libras transformou um sonho em profissão

Por | Social Media na Uníntese |


Ser o primeiro Tradutor e Intérprete de Libras com síndrome de Down do Brasil é um marco que Gabriel Lourenço Silva Camargos, egresso do curso Comunicação Assistiva – Tradução e Interpretação da Libras, carrega com orgulho, mas também com um forte senso de representatividade. Por trás desse título, existe uma trajetória construída com estudo, apoio, desafios e persistência.

Egresso da Faculdade Uníntese, Gabriel transformou um interesse que surgiu ainda na escola em profissão. Depois da graduação, iniciou sua transição de carreira, passou a receber novas oportunidades e viveu um dos momentos mais marcantes de sua trajetória: interpretar na 15ª Conferência Internacional da Síndrome de Down, na ONU.

Em entrevista à Uníntese, ele relembrou o caminho até essas conquistas e falou sobre o que ainda deseja construir.

O encontro com a Libras começou ainda na escola

A Libras entrou na vida de Gabriel muito antes da escolha profissional. O primeiro contato mais próximo aconteceu quando ele passou a conviver com quatro colegas surdos durante o atendimento educacional especializado no contraturno escolar.

A convivência despertou um interesse que permaneceu ao longo dos anos.

“Eu já gostava de Libras mesmo sem ter me formado. Depois da minha formatura, pude decidir que essa era a profissão que eu sempre sonhei.”

A decisão de seguir esse caminho, porém, também envolveu encontrar uma formação que correspondesse ao que Gabriel buscava

Na Uníntese, Gabriel encontrou a formação que procurava

Antes de chegar à Uníntese, Gabriel já havia iniciado um curso em outra instituição. A experiência, no entanto, não correspondia às suas expectativas: ele sentia falta de mais conteúdos relacionados à Libras e, principalmente, do suporte necessário para acompanhar a graduação.

Foi ao conhecer o curso da Uníntese que encontrou uma possibilidade diferente.

“Quando descobri a Uníntese, nem acreditei, pois foi exatamente o curso que eu queria. Consegui fazer no meu tempo e com muito apoio de todos.”

Ao recordar sua experiência como estudante, Gabriel destaca justamente o acolhimento recebido durante a formação.

“Foi maravilhoso. Todo o apoio que eu precisei eu tive da faculdade, dos professores e da coordenação. Todos não mediram esforços para eu conseguir alcançar meu objetivo.”

Aprender a respeitar o próprio tempo também fez parte da trajetória

A graduação trouxe conquistas, mas também desafios. Gabriel conciliava o trabalho com os estudos e precisou compreender que seu processo de aprendizagem exigia um ritmo próprio.

Para ele, reconhecer essa necessidade foi uma das partes mais importantes do caminho.

“O principal desafio foi aceitar que eu precisava de mais tempo para compreender e realizar as atividades. Nesse processo, contei com o apoio da faculdade, dos professores, da coordenação e de duas professoras de apoio. Todos não mediram esforços para eu alcançar meu objetivo.”

Ao resumir esse período, Gabriel é direto: “Não foi fácil, viu.”

Entre as lembranças que ficaram da graduação, a colação de grau ocupa um lugar especial. Apesar de ter acontecido virtualmente, o momento marcou sua trajetória.

“A emoção do professor Wilton e da professora Carmem me marcou tanto que eu não tenho nem palavras para descrever.”

Gabriel também lembra com carinho da dedicação e da paciência da professora Adiene durante sua formação.

O diploma foi uma conquista, mas o aprendizado continua

Gabriel reconhece na graduação uma base importante para começar a atuar profissionalmente como intérprete.

“O curso tem uma grade de matérias que são muito necessárias para a formação de um bom intérprete, mas eu continuo estudando muito todos os dias para me aperfeiçoar.”

Essa busca por aprendizado ganhou ainda mais importância quando a formação começou a dar lugar à vida profissional.

Desde dezembro de 2025, Gabriel vive um processo de transição de carreira. Com o apoio da mãe, da psicóloga e de sua ex-gestora, começou a direcionar sua trajetória profissional para a Libras.

E as oportunidades começaram a surgir.

“O início da minha carreira com a Libras está sendo incrível. As oportunidades têm aparecido bastante e, por isso, eu preciso continuar estudando todos os dias.”

O que significa ser o primeiro intérprete de Libras com síndrome de Down do Brasil?

A conquista profissional de Gabriel também ganhou um significado coletivo.

Ao se tornar o primeiro Tradutor e Intérprete de Libras com síndrome de Down do Brasil, ele passou a enxergar sua trajetória como uma forma de representar outras pessoas que também desejam estudar, trabalhar e construir uma profissão.

“Eu represento com esse título todas as pessoas com deficiência, em especial as pessoas com T21 que desejam e sonham com uma formação, mostrando que não é fácil, mas é possível.”

Essa representatividade ganharia ainda mais força quando Gabriel recebeu um convite que levaria sua história para um espaço internacional.

Da formação à ONU

Indicado pela Federação Nacional das Associações de Síndrome de Down (FEBSD), Gabriel participou da 15ª Conferência Internacional da Síndrome de Down, na Organização das Nações Unidas.

O convite chegou rapidamente e exigiu que ele e a família se organizassem em pouco mais de um mês. Quando finalmente chegou à ONU, Gabriel viveu uma experiência que ainda descreve com emoção.

“Eu nem acreditei que estava lá na ONU fazendo o que eu mais amo, que é traduzir músicas. E olha que foi uma música em inglês.”

Para ele, aquele momento reuniu profissão, paixão e uma conquista que parecia difícil de imaginar alguns anos antes.

“Foi uma experiência que eu não vou esquecer nunca mais. Foi um orgulho muito grande.”

Uma trajetória que inspira outras trajetórias

Da convivência com colegas surdos na escola à formação profissional; dos desafios durante a graduação às primeiras oportunidades de trabalho; do sonho de atuar com Libras à experiência de interpretar na ONU.

A trajetória de Gabriel continua sendo construída e ele faz questão de lembrar que nenhuma dessas conquistas significou deixar de estudar, aprender ou enfrentar dificuldades.

É justamente por conhecer esse caminho que sua mensagem para outras pessoas com síndrome de Down é tão direta:

“A mensagem que deixo para outras pessoas com síndrome de Down é: não desistam nunca. Como sempre digo em minhas palestras, com a ajuda de Deus: Eu faço. Eu posso. Eu conquisto!”

Educação que acompanha conquistas

Na Uníntese, histórias como a de Gabriel reforçam a importância de uma formação que reconhece diferentes trajetórias, respeita o tempo de cada estudante e oferece suporte para que o aprendizado possa se transformar em possibilidade profissional.

A instituição se orgulha de ter participado desse caminho e de ver um egresso levando sua formação para novos espaços, construindo sua carreira e ampliando representações.

A trajetória de Gabriel continua. E acompanhar cada nova conquista também faz parte da história da Uníntese.