Acadêmica da Uníntese analisa o impacto do intérprete de Libras no desempenho de estudantes surdos
Estudo de acadêmica da Uníntese mostra como a presença do intérprete de Libras transforma a inclusão e o desempenho escolar
A inclusão de estudantes surdos na educação básica brasileira tem avançado nos últimos anos, impulsionada pelo reconhecimento da Língua Brasileira de Sinais (Libras) e pelo fortalecimento de políticas públicas. No entanto, garantir acesso real à aprendizagem ainda é um desafio dentro das salas de aula.
É nesse contexto que a acadêmica do curso de Bacharelado em Letras-Libras da Faculdade Uníntese, Sara Daniela Conceição de Oliveira Souza, desenvolveu uma pesquisa que analisa o papel do intérprete de Libras na inclusão escolar.
O estudo investiga como a mediação linguística impacta diretamente a aprendizagem, a participação em sala e o desenvolvimento acadêmico de estudantes surdos, trazendo dados concretos da prática educacional.
Como a pesquisa foi realizada
A investigação acompanhou, durante um ano letivo, duas alunas surdas matriculadas nos anos finais do ensino fundamental em uma escola pública.
A metodologia incluiu:
- Observações em sala de aula
- Entrevistas com professores
- Análise das práticas pedagógicas
O objetivo foi compreender, na prática, como a presença (ou ausência) do intérprete de Libras interfere no processo de ensino-aprendizagem.
Antes e depois do intérprete: o que mudou
Os resultados evidenciam uma diferença significativa no ambiente escolar.
- Comunicação limitada
- Baixa compreensão dos conteúdos
- Participação reduzida
- Aulas centradas na cópia do quadro
Depois da presença da intérprete:
- Maior compreensão dos conteúdos
- Participação ativa em sala
- Interação com colegas
- Avanços na leitura e escrita
- Mais autonomia das estudantes
Desafios que ainda permanecem
Apesar dos avanços, a pesquisa aponta limitações importantes:
- Falta de materiais didáticos adaptados
- Ausência de planejamento conjunto entre professores e intérprete
- Necessidade de formação continuada docente
O estudo reforça que a inclusão não depende de um único profissional, mas de uma atuação integrada entre escola, professores e gestão.
Entrevista com a autora da pesquisa
A seguir, Sara Daniela compartilha reflexões sobre o estudo:
O que te motivou a pesquisar a atuação do intérprete de Libras no contexto educacional?
“A minha motivação nasceu da necessidade de compreender melhor como a mediação linguística realmente impacta o acesso à aprendizagem. Eu percebia diferenças significativas na participação de estudantes surdos dependendo da atuação do intérprete.”
Em que momento você percebeu que esse tema precisava ser investigado com mais profundidade?
“Essa necessidade ficou evidente quando percebi que muitas decisões pedagógicas eram tomadas sem considerar o papel do intérprete de Libras. Faltavam estudos que mostrassem o que acontece na prática, dentro da sala de aula.”
Como foi acompanhar, durante um ano letivo, duas alunas surdas em uma escola pública?
“Foi uma experiência transformadora. Ao longo do ano letivo, pude observar não só o desenvolvimento das alunas, mas também as dificuldades e conquistas diárias.”
Quais foram os principais desafios observados antes e depois da presença da intérprete?
“Antes da intérprete, havia barreiras visíveis: comunicação limitada, pouca participação e insegurança das estudantes. Depois, ficou evidente a ampliação do acesso ao conteúdo, maior autonomia e interação mais ativa na escola.”
O que mais te marcou nos relatos dos professores?
“O que mais me marcou foi perceber o quanto muitos professores desejam incluir, mas não sabem como fazê-lo sem apoio.”
Quais transformações concretas a pesquisa evidenciou?
“As principais transformações foram o aumento da participação nas aulas, maior compreensão dos conteúdos e a criação de um ambiente mais acolhedor.”
Na sua visão, o que essa pesquisa revela sobre o papel do intérprete?
“O intérprete atua como ponte cultural e pedagógica. Não se trata apenas de traduzir palavras, mas de mediar sentidos, contextos e relações sociais.”
Por que esse estudo é importante para escolas e gestores?
“O estudo ajuda gestores e educadores a entenderem que o intérprete não é um extra, mas um profissional essencial para garantir equidade.”
O que você espera que leitores e instituições repensem a partir desse trabalho?
“Espero que repensem as práticas de inclusão e reconheçam a importância de investir em equipes bilíngues.”
Principais aprendizados da pesquisa
- A comunicação é o fator central da inclusão
- O intérprete transforma a participação do aluno surdo
- Há impacto direto na aprendizagem
- Professores evoluem com apoio adequado
- A inclusão ainda enfrenta barreiras estruturais
- O trabalho precisa ser coletivo
Inclusão vai além da presença
A pesquisa reforça um ponto essencial: inclusão não é apenas estar na sala de aula, é aprender de verdade.
Garantir esse direito exige:
- Mediação linguística qualificada
- Formação docente contínua
- Integração entre profissionais
Ao evidenciar o papel do intérprete de Libras, o estudo amplia o debate sobre educação inclusiva e aponta caminhos para tornar a inclusão uma prática real, e não apenas um discurso.
